Origem Babilônica do Zodíaco [12] - Peixes

[O presente artigo foi retirado do livro Babylonian Star-Lore, do escritor Gavin White, e cedido para tradução com autorização do mesmo. Recomendamos aos que se interessarem pelo assunto que consultem a obra na íntegra para mais detalhes (https://www.amazon.com.br/Babylonian-Star-Lore-Illustrated-Star-Lore-Constellations-dp-0955903742/dp/0955903742/ref=dp_ob_title_bk).

O objetivo desta série de artigos é mostrar como os babilônicos determinaram a simbologia das constelações através dos mitos que permeavam sua cultura. Esse tipo de análise servirá como base para mostrar a origem dos Signos do Zodíaco e seu desenvolvimento até os dias atuais.

Ao longo deste artigo, fiz alguns comentários para elucidar alguns aspectos do texto original. Deixei tudo entre colchetes para tornar claro que é uma observação minha, e não do autor Gavin White.]

A ideia de Peixes como um par de peixes pode ser traçada desde a constelação babilônica conhecida como as Caudas. O conceito da corda ou laço que une os dois peixes pode ser encontrado no período tardio da Babilônia, no qual a “brilhante estrela do laço de Peixes” é considerada a estrela guia das chamadas “Estrelas normais” — uma série de 32 estrelas localizadas perto da eclíptica que são usadas como pontos de referência para localizar os planetas. A corda em si é, sem dúvida, outro exemplo de um vínculo celestial que aparece com frequência no saber estelar da Babilônica em conexão com a localização dos solstícios e equinócios — os pontos do ano solar que são figurativamente “fixos” em relação às estrelas.

Par de peixes amarrados

Há total razão para acreditar na ideia de que a corda seria apenas aplicada a essas estrelas da última metade do 1.º milênio a.C., quando elas começaram a marcar a posição do equinócio de primavera. Antes dessa época, os dois componentes da corda seriam visualizados como os dois grandes rios da Mesopotâmia com pequenos peixes percorrendo seus cursos. Essa imagem fundamental é a origem definitiva de nosso Peixes moderno. A origem do “nó” que une as duas cordas pode ser encontrada no Shat-al-Arab, onde os rios se unem antes de fluir para o Golfo do Bahrain.

A imagem toda é copiada da natureza durante o 12.º mês do ano, o qual é marcado pela ascensão das Caudas, e ocorre durante a estação em que os peixes nadam correnteza acima para se reproduzir nos rios inchados pelas águas que desceram das montanhas.

A constelação das Caudas é escrita como “Mul Kun-meš”:

Em acádio, esses símbolos são lidos como zibbātu – a “cauda” de um animal, a “extremidade final” de um exército.

O símbolo-Kun indica uma cauda de animal com um tufo de pelos no fim. O nome pode fazer alusão ao fato da constelação ascender no mês 12, o último do ano. Esse símbolo pode também ser usado para escrever “saída de canal” — um uso que é provavelmente inspirado pela associação astrológica da constelação das Caudas com rios e com agricultura de irrigação.

Ambos os significados são inerentes à história das Caudas, que pode, mais precisamente, ser traduzida como “os Escoamentos”.

O símbolo-Meš simplesmente indica o plural; é sempre colocado ao final de um nome.

Como a economia básica da Mesopotâmia foi baseada na agricultura de irrigação, as inundações do Tigre e do Eufrates eram essenciais para a prosperidade contínua da terra. As Caudas podem, então, ser vistas como uma parte integral do simbolismo agrícola centrado nas constelações perto do Campo. Quando as Caudas estavam em aspectos favoráveis, dizia-se que era o prenúncio de boas inundações: “Se a Ovelha Selvagem aproximar-se da estrela-Tigre: haverá chuva e inundação.” E uma inundação abundante naturalmente traz uma fértil colheita consigo: “Se Júpiter posicionar-se sobre as Caudas: o Tigre e o Eufrates se encherão de lama; haverá prosperidade e abundância na terra.”

A constelação das Caudas aparece primeiro entre as “Estrelas no Caminho da Lua”, uma série de 18 constelações da eclíptica listadas no Mul-Apin, as quais são as precursoras babilônicas das 12 constelações zodiacais. O próprio asterismo dá a impressão de ser uma figura formada recentemente, especificamente usada para representar o 12.º mês do ano. Foi ali que, provavelmente, Peixes adquiriu o nome de Caudas – quando ascendeu no mês 12, o final do ano.

Imagem composta de Peixes, Anunitum e a Andorinha

A história das estrelas em volta de Peixes é provavelmente uma das mais complexas de todo o saber estelar babilônico. A configuração dos asterismos apenas se torna compreensível à luz da ilustração anterior, a qual sobrepõe a imagem moderna de Peixes nas correspondentes constelações babilônicas. Ela mostra que os peixes de Peixes são consideravelmente mais pequenos que suas contrapartes babilônicas.