Já quero deixar claro no início deste texto que não pretendo, neste momento, entrar em explicações sobre as características do plano astral em si, e nem divagar se o Templo Astral de fato se localiza no espaço-tempo de outro plano, ou se é apenas uma projeção de nosso subconsciente. Muitas vezes nos perdemos tentando definir práticas cujos benefícios só usufruímos através da realização efetiva delas, e não necessariamente do entendimento de sua natureza.

O Templo Astral talvez seja uma das práticas mais importantes para o magista, especialmente no início de sua jornada, pois possibilita que ele tenha um entendimento maior sobre si mesmo, auxilia em exercícios fundamentais como a visualização e a concentração, constrói as bases para a projeção astral, e ainda abre espaço para práticas rituais que são, muitas vezes e por qualquer motivo que seja, impossíveis no plano físico.

Para os que já têm um conhecimento mínimo sobre magia e ocultismo, não é difícil entender do que se trata o Templo Astral apenas pelo nome que o define. Um templo sempre é um local sagrado para aquele que o frequenta, e o astral é um plano mais sutil que o físico, geralmente tido como o local do qual se originam fenômenos paranormais, seja por meio de uma “energia” na maior parte do tempo invisível a nossos sentidos, seja por meio de entidades que habitam esse além-mundo. Portanto, ao se juntar os dois termos, entende-se o Templo Astral como um local sagrado para aquele que o constrói e frequenta, mas, ao invés de ser mantido no usual plano físico, é mantido no próprio plano astral, longe da observação mundana e possibilitando a privacidade e a introspecção do indivíduo responsável por ele.

A palavra “constrói” não deve ser tomada de maneira literal. Devido ao Templo Astral ser moldado pela própria vontade do indivíduo, há os que o edificarão apenas em uma faísca de imaginação, e a partir dali ele será sólido o suficiente para se manter indefinidamente. Nem sempre ele será algo novo, podendo se basear em estruturas existentes no mundo físico, ou em ambientes “naturais” que refletem nosso mundo ou estruturas próprias desse plano mais sutil. A criatividade e a conexão sentida por cada um em relação a esse espaço será o limite do que pode ser construído.

Ao ler tudo isso, você pode estar se questionando se é necessário ser capaz de acessar o plano astral, de alguma forma, para poder construir o próprio Templo Astral. A resposta é que sim, mas talvez não do jeito que esteja pensando. O plano astral não precisa necessariamente ser visitado por meio de projeção astral consciente. Quando forçamos nossa visualização em determinados temas ou imagens, com o passar do tempo elas passam de mera imaginação para estruturas realmente existentes no plano astral, e quanto mais trabalhamos com elas, colocando emoções e vontade em sua formação, mais “sólidas” elas se tornam. Há até mesmo relatos de objetos ou situações criadas em Templos Astrais se manifestando de forma quase exata no plano físico.

Pois então, para começar a construção de seu Templo Astral, o melhor exercício é simplesmente entrar em um estado relaxado, física e mentalmente, em um local onde você não possa ser interrompido ou atrapalhado por nada que tire sua concentração. Após estar completamente imerso em sua própria consciência, imagine seu corpo astral deixando a casca física para trás e adentrando em um local mais abstrato, menos denso e infinito. Se antes de se deitar/sentar para fazer o exercício você já tinha em mente uma ideia de como seria seu Templo, este é o momento para se imaginar chegando nele, entrando em sua área e iniciando uma verdadeira exploração de suas características. Caso ainda não esteja certo de qual seria a melhor escolha, deixe sua imaginação fluir e construir as estruturas por conta própria.

É importante ressaltar que o Templo, você queira ou não, terá um pouco de “vida própria”. O que quero dizer com isso é que, por mais que você deseje construí-lo de um jeito, ele começará a forçar objetos, estruturas e cenários que podem não lhe agradar a princípio. Isso acontece porque o Templo bebe da fonte de nosso próprio subconsciente, absorvendo, por vezes, a responsabilidade de nos mostrar algo que nos recusamos a ver, ou que nos passa despercebido em nosso dia a dia tão focado no mundano e no imediatamente visível.

Em relação a isso, posso utilizar um exemplo próprio. Nas primeiras vezes em que visitei meu Templo, embora já tivesse uma estrutura completamente pronta em minha mente, com todos os detalhes que eu desejava, essa casa em que eu adentrava e explorava se recusava em ter janelas. Para mim, era ridículo imaginar algo assim, e eu simplesmente não conseguia conceber como uma casa poderia ser adequada sem ter janelas, mesmo sendo em um plano onde elas não teriam tanta utilidade, afinal, aquilo fazia parte de meu senso estético comum. Eu lutei tanto contra isso, mas as janelas sempre se recusaram a aparecer durante anos, até que eu desisti e finalmente aceitei o fato. Muito tempo depois, mais maduro e compreensivo de minhas próprias limitações, compreendi que a ausência de janelas implicava em minha própria personalidade mais fechada e que se recusava em abrir minha parte mais íntima e sagrada para os outros, da mesma forma que aquelas janelas não queriam aparecer, pois elas sugeririam que as pessoas “de fora” poderiam ver o que se passava ali dentro do meu Templo.

Qualquer coisa desse tipo que acontecer em seu Templo deve ser levada a sério e analisada com cuidado. Na maioria das vezes, são detalhes de nossa personalidade que não gostamos, mas que nos recusamos a melhorar, e, por isso, fechamos nossos olhos a eles, fingindo que não existem.

Entretanto, não só para autoconhecimento serve o Templo Astral. O espaço reservado e infinito em possibilidades que ele proporciona também pode ser utilizado como base para rituais complexos e cheio de “ingredientes” cuja obtenção não é possível por meios físicos. Afinal, quem nunca se deparou com grimórios medievais e renascentistas que exigem fórmulas minimamente inusitadas para a realização de ritos mágicos grotescos? Bem, em um local onde o limite é a imaginação, obviamente é possível fazer todo e cada um deles.

Por fim, a frequente visita ao Templo Astral ainda é capaz de servir como potencializadora de projeções astrais. Puramente por insistência, e pelo trabalho ativo e conjunto de concentração/visualização, o praticante pode começar a desenvolver as faculdades que permitem a saída do corpo e exploração desse plano mais sutil. Vale lembrar que, ao treinar a saída de seu corpo astral diretamente na estrutura do Templo, como sugerido pelo exercício anterior, você está garantindo que irá se deslocar para um local seguro e livre de qualquer interferência externa, perigosa ou não. Em seu Templo Astral, o único e absoluto mestre é você.