[O presente artigo foi retirado do livro Babylonian Star-Lore, do escritor Gavin White, e cedido para tradução com autorização do mesmo. Recomendamos aos que se interessarem pelo assunto que consultem a obra na íntegra para mais detalhes (https://www.amazon.com.br/Babylonian-Star-Lore-Illustrated-Star-Lore-Constellations-dp-0955903742/dp/0955903742/ref=dp_ob_title_bk).

O objetivo desta série de artigos é mostrar como os babilônicos determinaram a simbologia das constelações através dos mitos que permeavam sua cultura. Esse tipo de análise servirá como base para mostrar a origem dos Signos do Zodíaco e seu desenvolvimento até os dias atuais.

Ao longo deste artigo, fiz alguns comentários para elucidar alguns aspectos do texto original. Deixei tudo entre colchetes para tornar claro que é uma observação minha, e não do autor Gavin White.]

Período do Solstício de Inverno

O ciclo sagrado das estrelas chega ao fim com a aparição das constelações invernais, as quais representam os estágios finais do calendário estelar, quando o sol mais uma vez atinge seu ponto mais baixo nos céus, se aproximando cada vez mais da noite mais longa.

Essa é a época na qual as almas desencarnadas da humanidade se afastam da terra e são conduzidas às regiões circumpolares dos céus para se juntar a seus ancestrais. As constelações dessa parte do céu demonstram que o “submundo” não se encontra exatamente debaixo da terra, como pode sugerir o senso comum, mas, na verdade, se localiza entre as estrelas. Há, também, evidências apontando que a própria Via Láctea era imaginada como o caminho dos mortos, ou que cada uma de suas infinitas estrelas era considerada uma alma desencarnada residindo no céu.

Sexto Setor - as constelações ascendendo no solstício de inverno

Na base da Via Láctea, podemos encontrar Pabilsag, o protótipo babilônico de nosso Sagitário, cujo nome significa “Antecessor” ou “Ancestral-Chefe”. Sua função dentro do calendário estelar era conduzir as almas desencarnadas da terra para os céus. Ao exercer esse papel, ele compartilha muitas similaridades com o deus da caçada selvagem do folclore ocidental.

[Esse “deus da caçada selvagem” nem sempre é um deus propriamente dito, podendo ser simplesmente uma figura de liderança, o qual é responsável por conduzir as tropas de espíritos, fantasmas ou quaisquer seres sobrenaturais que participam da caçada. Trata-se de um motivo mitológico catalogado pelo folclorista americano Stith Thompson, em cujos trabalhos é possível conferir as diferentes formas pelo qual esse mito da caçada selvagem se manifesta em culturas distintas.]

A Águia continua no mesmo sentido de simbolismo; sua função mítica é dupla. Em termo gerais, ela age como uma guia dos mortos, transportando o Homem Morto ao submundo assim como pensava-se que faziam também as harpias gregas. Mais especificamente, ela também pode ser considerada responsável por carregar a alma de um malfeitor até o local de alguma punição em especial – efetivamente negando a ele um lugar nos reinos ancestrais.

Na parte mais ao norte dos céus invernais, podemos encontrar a Pantera, a besta sagrada de Nergal, o rei dos mortos. É possível que a imagem dessa constelação tenha sido selecionada para as partes superories da Via Láctea a fim de servir como guarda da entrada do submundo celestial, uma importante parte do qual estava localizada nas regiões circumpolares.

O círculo da vida está agora completo, e as almas dos mortos se reúnem a seus ancestrais entre as estrelas. Mas nem mesmo o submundo é o fim absoluto do ciclo vital – na verdade, é apenas um novo começo – pois as almas destinadas a um novo nascimento partem agora do reino ancestral e viajam até o mundo dos vivos. A constelação do Barco de Carga foi colocada entre as estrelas para representar justamente esse processo. O barco sobre as águas simboliza o feto no líquido amniótico, e sua “carga” é composta de símbolos que indicam o sexo da criança.

[Com essa sexta parte sobre as constelações babilônicas, a primeira parte da série se finaliza, e a partir das próximas semanas começarei a trazer as informações sobre as 12 constelações que originaram os atuais 12 signos do zodíaco, também com base na astrologia babilônica.]