Como é a primeira vez em um terreiro?

Texto por Rafa

É muito provável, caso você seja uma pessoa bastante ligada à espiritualidade, que em algum momento da vida tenha tido curiosidade sobre como funciona uma religião que você nunca teve a oportunidade de conhecer. Ao mesmo tempo, é comum termos receio e insegurança sobre visitar um local novo, especialmente se estamos sozinhos nessa jornada de descobrimento. Por isso, preparamos o seguinte texto para aqueles que têm vontade de ir pela primeira vez em um terreiro de Umbanda participar de uma gira, mas gostariam de saber melhor como funciona antes de se dirigir ao local.

Antes de qualquer coisa, é sempre bom lembrar que giras podem variar de terreiro pra terreiro, mas os seguintes pontos são bastante comuns.

COMEÇO

Normalmente, os filhos de santo recebem os consulentes (visitantes), e, com hospitalidade, acomodam os visitantes para poderem assistir à gira.   

Um consulente não participa da gira, ele somente assiste ao ritual e recebe as bênçãos quando permitido. Para participar ativamente da gira, é necessário iniciação (exceto em caso de incorporação de um consulente, pois aí seria a entidade te chamando para participar).

REGRAS DA CASA

Cada terreiro terá uma regra específica, seja de comportamento, vestimenta, preceitos, etc.

É importante lembrar de respeitar as regras do terreiro, pois é um local sagrado.

Normalmente as regras são:

  • Retirar calçados na entrada do terreiro;
  • Não meter o louco num geral;
  • Se sentir à vontade. Não é porque há regras que você deve se restringir em cada movimento que faz.

Sobre a vestimenta, pergunte a algum médium, com antecedência, qual tipo de roupa usar, pois a regra varia de casa para casa.

Recomendo que não utilize acessórios, somente o necessário, pois em caso de incorporação, os guias irão tirá-los.

A GIRA SE INICIA

Quando todos os médiuns estiverem reunidos em um círculo, a gira começará em breve!

Os ritos de começo podem variar, mas na casa em que frequentei, o Pai de Santo anuncia o começo da gira.

Nesse momento, os responsáveis pelos instrumentos puxam um ponto cantado, normalmente um introdutório para chamar o Exu/Caboclo/Preto-Velho/etc. (dependendo do tipo de gira, vai ser uma entidade específica) do Pai de Santo.

Quando o Pai de Santo incorporar, os médiuns o cumprimentam, e seguem cantando pontos e dançando.

Caso queira se conectar mais, recomendo que bata palmas no ritmo da música e sinta a voz do atabaque.

Após um tempo de gira, os médiuns começam a incorporar também, e talvez até um consulente ou outro incorpore. Caso você incorpore, não se preocupe, a casa tem médiuns de "apoio" que não incorporam e que estão lá para ajudar as entidades.

Com os médiuns incorporados, normalmente o Pai de Santo puxa uma conversa com todos, explicando as tradições da Umbanda e dando um puxão de orelha aqui e ali.

Após a roda de conversa, a gira volta com os atabaques e começam os trabalhos do dia. Normalmente são passes, limpezas, etc. E sim, os consulentes são os primeiros a receberem os trabalhos.

Se alguma entidade permitir, você pode perguntar e até mesmo bater papo com ela enquanto ela faz o trabalho, levando dúvidas, aflições e até mesmo conversas normais, porém cada entidade reage de um jeito e médiuns mais novos, tendem a não conseguir conversar incorporados.

Após todos os trabalhos feitos nos consulentes, as entidades realizam o trabalho com os médiuns.

Quando não há mais trabalhos a se fazer, parte-se para o encerramento da gira.

O FIM DA GIRA

O fim da gira é bem tranquilo, as entidades se vão aos poucos, e pode acontecer de deitarem para as entidades saírem.

Às vezes, uma ou outra entidade fica um tempo a mais, conversando com quem tiver dúvidas.

Até que chega a hora que todos se desincorporam e a gira é finalizada!

Lembrando, ansiedade é normal nas primeiras giras, lembre-se de tentar aproveitar o momento, e de tentar interagir com guias e médiuns para aprender mais sobre o local e a religião.