Este artigo é o segundo da série dos quatro Arcanjos, inspirada pelo Ritual de Banimento Menor do Pentagrama (RBMP). Caso queria conferir o primeiro artigo, sobre o Arcanjo Rafael, dirija-se ao seguinte link: https://www.desocultados.com/artigos/arcanjo-rafael-simbologia-e-correspond%C3%AAncias-m%C3%A1gicas

Não vou repetir aqui a introdução que dei no artigo supracitado, e nem as motivações que me levaram a escrever essa série. Vamos direto ao assunto, dessa vez tratando do Arcanjo Gabriel, rotineiramente evocado no quadrante oeste, correspondendo ao elemento da água, e também associado por Aleister Crowley em seu Liber 777 com a cor azul e com o planeta Lua. Só lembrando que, embora a Lua não seja um planeta propriamente dito, ela é tratada como qual na Astrologia.

Gabriel talvez seja o mais popular dos Arcanjos, e isso é algo que se preservou em praticamente toda sua história, sendo uma aparição bastante comum na literatura judaica e em textos cristãos ao longo das eras, especialmente em livros não-canônicos. Ele é um dos únicos dois anjos mencionados por nome durante o Velho Testamento (o outro é Miguel).

No apócrifo Livro de Enoque, há uma passagem na qual Gabriel é apontado como um dos “sete Arcanjos”, mas, em outras fontes (inclusive em outra passagem no próprio Livro de Enoque), ele é tido como um dos quatro Arcanjos do trono de Deus.

Por ser tão próximo a Deus, ele é responsável por interceder na vida daqueles oprimidos pelo mal, explicar os mistérios sobre o futuro, e trazer revelações especiais diretamente de Deus para as pessoas. E embora essas funções sejam bastante realçadas na Bíblia, o arcanjo também tem extrema importância dentro do Islamismo: segundo Maomé, foi o próprio Gabriel, aparecendo com seus 140 pares de asas, que lhe ditou o Alcorão capítulo a capítulo.

As aparições de Gabriel também podem ser mais agressivas, já que ele também é relacionado a características de justiça e guerra, e dentre elas podemos citar a destruição de Sodoma e Gomorra, que segundo o Judaísmo foi realizada diretamente por esse arcanjo.

No Novo Testamento, Gabriel aparece “oficialmente” apenas duas vezes: em ambas ele anuncia o nascimento de Cristo, primeiro para Zacarias e, depois, para Maria, que viria a carregá-lo em seu ventre. Apesar disso, considera-se que outras aparições angelicais não-nomeadas no Novo Testamento são também referentes a Gabriel, como o momento em que Jesus é apoiado por um anjo durante seu sofrimento no Jardim de Getsêmani.

Existe também a ideia de que a Trombeta do Juízo Final será tocada pelo Arcanjo Gabriel. Porém, essa concepção foi alimentada mais pela cultura popular do que por qualquer outra coisa. Nenhuma religião menciona em seus escritos sagrados que será ele a soar a trombeta, e na verdade não se sabe exatamente de onde surgiu essa teoria. Na obra Paraíso Perdido, de John Milton, essa identificação é feita pela primeira vez na literatura, e provavelmente popularizou a ideia pelo mundo gradualmente, mas não se sabe se o autor se inspirou em alguma fonte específica, embora haja uma ilustração bizantina do século XV que represente Gabriel soando uma trombeta e levantando os mortos.

O magista Damian Echols coloca Gabriel na posição de Yesod na Árvore da Vida, correspondente ao plano astral da realidade, sendo a figura então responsável pela intuição e pela percepção psíquica, o que faz sentido considerando a característica de “revelador” desse arcanjo.

REFERÊNCIAS:
* CATHOLIC ENCYCLOPEDIA. St. Gabriel the Archangel. Disponível em: <https://www.newadvent.org/cathen/06330a.htm>.
* CROWLEY, A. Liber 777. 1909. Disponível em: <https://www.hadnu.org/publicacoes/liber-777>.
* DAVIDSON, G. A Dictionary of Angels. 1967.
* ECHOLS, D. Angels and Archangels - A Magician's Guide. 2020.
* MCCASLAND, S. V. Gabriel’s Trumpet. Journal of Bible and Religion v. 9, n. 3, p. 159–161, agosto, 1941.
* METZGER, B. M.; COOGAN, M. D. The Oxford Companion to the Bible. 1993.